
Nos dias que correm, o home office tornou-se quase como que a norma da vida laboral. Parece ter imensas vantagens e ser extremamente benéfico para as pessoas que o praticam. No entanto, existe um lado obscuro que apenas algumas destas pessoas experienciam. O trabalho remoto, além das vantagens que pode trazer, pode ter efeitos bastante negativos a nível físico e mental.
Não existe uma noção das implicações do trabalho remoto a longo prazo, mas especialistas afirmam que trabalhar em casa a tempo inteiro afeta o corpo e a mente de várias formas, desde irritação oftalmológica a dores musculares. No entanto, a curto prazo, existem formas de prevenir estes problemas.
Formas como trabalho remoto pode afetar o corpo e a mente:
De acordo com Krys Hines, um educador de bem-estar no trabalho, o trabalho remotoveio envelhecer os nossos corpos por cerca de 10 a 15 anos. Hines afirma que “as pessoas estavam a criar espaços de trabalho em casa que perpetuavam esforço na postura e stress mecânico. O trabalho estava a acontecer à mesa da cozinha, no sofá, na cama e numa secretária sem apoio ergonómico específico ao individual. Essencialmente, as pessoas encaixam-se num espaço de trabalho em vez de criarem um espaço de trabalho para o seu corpo.”
Um Estudo da Microsoft realizado em 2020 revelou que colaborações remotas verificaram-se como sendo mais desafiantes do que as presenciais, mas não de forma positiva. O estudo revelou que os “padrões de ondas cerebrais associados com stress e sobrecarga de trabalho revelaram-se muito mais altos do que quando em colaboração presencial.”
Este resultado prende-se com a necessidade de tomar maior atenção visual em trabalho remoto do que no presencial, especialmente no que toca a reuniões, o que causa maior esforço na atividade cerebral.
Falta de interação presencial e comunicação não-verbal, também característica da colaboração em escritório. Devido à falta de linguagem corporal, as pessoas perdem uma base crucial de interações sociais em tempo real, pois encontram-se reduzidas a versões aproximadas das pessoas através de píxeis.
Interações em pessoa podem por vezes ser inesperadas, mas o cérebro precisa mesmo dessa variante social, pois isto leva-nos a pensar de modo mais abrangente e ter novas ideias.
Ainda na vertente mental, além destas complicações neurológicas, existem também fatores psicológicos e emocionais que se revelam como uma área negra do home office.
A mais importante prende-se com o isolamento e solidão; a falta de interações sociais em ambiente de escritório bem como o sentido de equipa pode trazer sentimentos de solidão e ansiedade, devido ao facto de seres humanos serem inerentemente sociais e necessitarem, como já foi mencionado, de apoio social de outros. Muitas vezes, as pessoas que trabalham na íntegra a partir das suas residências acabam por sair muito pouco, talvez pelo cansaço emocional ou até físico de passar tantas horas na mesma posição em frente ao computador, muitas vezes a fazer as mesmas tarefas durante as oito horas de trabalho, pelo que acabam por deixar mesmo de ter qualquer tipo de interação social.
Isto leva a outro ponto do artigo, que poderá contradizer um pouco a maior parte dos textos quanto a trabalho remoto – que torna a gestão do horário mais difícil. A maior parte das pessoas vive sob a impressão de que trabalho remoto significa inerentemente um melhor equilíbrio entre a vida pessoal e laboral, mas nem sempre se verifica essa situação. Pode rever-se no estudo de Hines acima mencionado que muitas vezes as pessoas acabam a realizar o seu trabalho em situações como a mesa de jantar, o sofá ou a cama.
Outro fator comum do trabalho remoto prende-se com desafios na comunicação que, devido à falta de interação cara-a-cara, pode tornar-se ambígua e dar aso a mal-entendidos e desalinhamento dentro das equipas. Pessoas que trabalham remotamente afirmam que é necessário ter uma forte sensação de auto-motivação e capacidades de comunicação escrita excelentes para poder ter sucesso neste modelo de trabalho. A falta de interações presenciais podem prejudicar a colaboração entre equipa e dificultar o sucesso no ambiente remoto.
Devido à grande relação que o trabalho remoto tem com tecnologia, é de esperar que ocorram problemas técnicos que muitas vezes dependem de determinados especialistas para serem resolvidos. Isto abranda o trabalho dos profissionais, pois necessitam de aguardar até à resolução. Outros problemas podem ocorrer, como falta de ligação à internet, cortes de luz, entre outros.
Formas como tornar trabalho remoto melhor para o corpo e a mente:
Criar atividades sincronizadas como reuniões ou body doubling, de modo a manter uma maior motivação proveniente de observar outras pessoas a fazer o mesmo que nós em tempo real;
Realizar pausas frequentes de modo a reduzir o esforço oftalmológico e a fadiga. De acordo com o ciclo descanso-atividade básico, os humanos estão otimizados a funcionar durante 45 minutos, mas, aos 90, a cognição baixa significativamente. A falta das mesmas leva, na maior parte dos casos, a burnout.
Movimento e boa postura são cruciais para prevenir problemas ortopédicos comuns, como dores no pescoço, na zona lombar, implicações nos ombros e ancas, dores relacionadas com tensão e desconforto geral a nível muscular e das articulações.
Para combater quaisquer complicações físicas causadas pelo home office, Hines sugere sentar-se numa cadeira ou almofada que apoie bem o corpo. É também necessário criar um espaço de trabalho ergonómico onde se possa encaixar o corpo, a personalidade e preferências, tendo em consideração uma secretária extensível e elevar o computador a 10-15cm acima dos olhos.
Adicionalmente, é uma boa ideia ter uma rotina de aquecimento muscular de modo a manter o bem-estar corporal.
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